IV Cúpula das Américas discute a implementação da ALCA
- Wando Moreira
- 4 de jul. de 2021
- 3 min de leitura
Membros debatem como vai ser a implementação do novo bloco.
MAR DEL PLATA - Iniciou hoje na cidade de Mar del Plata, na Argentina, a IV Cúpula das Américas, conferência da OEA (Organização dos Estados Americanos), que será organizada em dois dias e tem como objetivo a implementação da criação da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
Entre muitas discussões que os membros da Cúpula irão fazer durante as reuniões estão resolver os entraves que estejam dificultando a implementação do bloco econômico como redução de tarifas, resolução sobre subsídios agrícolas, resolução de discrepâncias econômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento nas Américas e um possível ingresso de Cuba no bloco, já que o mesmo foi suspenso da OEA desde 1962.
TUMULTOS NA CIDADE SEDE DA CÚPULA
Dezenas de manifestantes foram detidos pelas forças policiais depois de ocorrer distúrbios violentos no lado de fora onde ocorria a conferência para a implementação da ALCA. Os manifestantes faziam protestos anti-estadunidense e contra o seu atual presidente, George Bush.
O que anteriormente tinha começado de forma pacífica foi se agravando quando começou um princípio de quebra-quebra por meio de vândalos armados de pedras e bombas caseiras atacaram lojas que tiveram origem nos Estados Unidos como Mc Donald's, Burger King, Bank Boston, entre outros. Além disso, foi relatado que houve queima de bandeiras dos Estados Unidos tanto em Mar del Plata e na capital argentina Buenos Aires. O policiamento foi reforçado no entorno do local que está ocorrendo a Cúpula para evitar mais transtornos. De acordo com a polícia, houve diversos feridos tanto por parte de civis como de agentes de segurança.
No lado de dentro da conferência, diversos delegados lamentaram a respeito dos protestos que ocorreram do lado de fora. A delegação peruana afirmou que esses atos eram terroristas e repudiou a forma violenta por parte dos manifestantes. De acordo com a diplomata dos Estados Unidos, esses atos prejudicaram a vinda da mesma ao local da conferência e, por causa disso, ela criticou a forma como a Argentina se preparou na questão de segurança a fim de manter a paz durante as negociações da criação da ALCA, declaração repudiada pela delegação do país-sede, onde a mesma afirmou que todos os preparativos para a organização do encontro foram preparadas da melhor maneira possível.
Já para a delegação venezuelana, essas manifestações são uma resposta por parte do argentino contra as políticas imperialistas organizadas pelos Estados Unidos. Ele ressaltou também que a reunião da Cúpula será importante com o objetivo de resolver esses problemas e finalizar com as práticas discrepantes feitas pelos países desenvolvidos.
DISCUSSÕES SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DA ALCA
As discussões sobre a implantação da ALCA começaram quando os países membros debatiam sobre como se deveria resolver as questões de tarifas alfandegárias, redução de subsídios agrícolas. A maioria das delegações da conferência concordam com a discussão de subsídios agrícolas colocada na agenda de implementação da ALCA, com exceção dos Estados Unidos e República Dominicana, pois os membros gostariam que esses subsídios sejam debatidos na OMC. Sobre isso, a delegada dos Estados Unidos rebateu as críticas feitas por países a respeito da intermediação da OMC sobre os subsídios agrícolas. "Essa é uma discussão na OMC, não nessa Cúpula".
A respeito das maneiras de como deveria se resolver as questões de tarifas alfandegárias, membros participantes da Cúpula discutem como resolver os entraves tarifários entre países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Nesse aspecto, a delegação colombiana sugere para que países membros da Cúpula façam ao máximo de que países consigam cumprir suas políticas tributárias antes de pensar em implementar a questão tributária na ALCA.
Durante as reuniões do primeiro dia, a delegação argentina pediu para que países membros informassem a situação econômica e alfandegária para que se possa ver como está a situação dos mesmos antes de se implantar a ALCA. Após isso, foi proposto pela mesma delegação que se criasse um documento para a criação de um órgão arbitral para a ALCA com o objetivo de fiscalizar a integração comercial e alfandegária entre os países membros e alcançar metas fiscais.
Sobre o ingresso de Cuba, houve diversas divergências entre membros a respeito da inclusão do país governado pelo ditador Fidel Castro. Enquanto países como Argentina, República Dominicana. Estados Unidos, Costa Rica, Jamaica, Peru, Chile, Equador e Colômbia foram contra a entrada do país na ALCA devido a falta de um regime democr´tico no país, a delegação da Venezuela se mostrou favorável à inclusão de Cuba na ALCA. Caso isso não aconteça, a delegação venezuelana ameaçou não integrar ao bloco, gerando críticas pelos Estados Unidos, que acusou o país governado pelo Hugo Chávez de também ser um regime ditatorial.
As discussões sobre a implementação da ALCA irão continuar neste domingo, com o fechamento do documento que pretende criar o bloco econômico e as resoluções que ficaram pendentes no primeiro dia de conferência.





Comentários